: (e repito-me)
É como se tudo fosse apenas a falta
Hábito
Montagem
Silêncio
(vazio)
Com hora marcada
amanhã
O que fazer do nada
mais do mesmo
“estás à espera?”
Como se tudo fosse repetição
A noite deles
Retardada, alcoólica, igual
Repetição
deles
Dos que estão no céu
Os balões
A chegar depressa
É como se não conhecesse ninguém
Pedras
Prisões
Como se não existisse
Como se ninguém existisse
Aquela palavra perdida ali
(detesto)
festa com dia e hora marcados
E alguém a morrer
A ficar transparente
Leve
A não saber quem é
A não saber que morre
E o telemóvel
Na noite deles
ela
Sentir que (não) estou aqui
Que só estou aqui
Que só se está
Que não se coincide com o tempo
atendo
Gente na rua
Enganos
Os pés
Falta qualquer coisa
E esperamos pelo táxi
Qualquer coisa
(dias 13)
A noite que salva
repete
E repete-se
(e repito-me)
Nos erros
Falta horizonte nestas ruas, janelas a mais
É como se nada existisse
“mais alto, não te oiço!”
(falta)
Amanhã é manhã
Hoje
Não
Um sono acelerado
Banco de trás
Gente na rua
Cabedal
Macio
Merda para os santos
Lá em cima
Nada
Absolutamente nada
Com hora marcada
(desespero colectivo a horas certas)
Há o momento em que todos sentimos o mesmo nada
À espera do táxi que não há
Lá em cima a dançar
Abro a janela
Tudo agora
Como se tudo ficasse por responder
Por perguntar
É como se não conhecesse ninguém
(nunca lhe disse)
E é caro
O sono
(Há qualquer coisa numa janela aberta que me pede um cigarro, se a janela calar a casa)
Noite de Verão
E não sei porquê
É Inverno
E alguém reclama
“não quero”
Vidro
A partir
Lento
Amanhã acordo
Amanhã vou acordar
A cidade calada
À espera
Falta qualquer coisa
(marchemos)
Por mais que diga
Um muro de inutilidade
E escreva
E comunique
E demonstre
E (não) pense
Nada
Com hora marcada
E gente dentro
Que dança
Que não cabe
Que não fica
repetição (quase sem alterações) de post de 22-06-07
Hábito
Montagem
Silêncio
(vazio)
Com hora marcada
amanhã
O que fazer do nada
mais do mesmo
“estás à espera?”
Como se tudo fosse repetição
A noite deles
Retardada, alcoólica, igual
Repetição
deles
Dos que estão no céu
Os balões
A chegar depressa
É como se não conhecesse ninguém
Pedras
Prisões
Como se não existisse
Como se ninguém existisse
Aquela palavra perdida ali
(detesto)
festa com dia e hora marcados
E alguém a morrer
A ficar transparente
Leve
A não saber quem é
A não saber que morre
E o telemóvel
Na noite deles
ela
Sentir que (não) estou aqui
Que só estou aqui
Que só se está
Que não se coincide com o tempo
atendo
Gente na rua
Enganos
Os pés
Falta qualquer coisa
E esperamos pelo táxi
Qualquer coisa
(dias 13)
A noite que salva
repete
E repete-se
(e repito-me)
Nos erros
Falta horizonte nestas ruas, janelas a mais
É como se nada existisse
“mais alto, não te oiço!”
(falta)
Amanhã é manhã
Hoje
Não
Um sono acelerado
Banco de trás
Gente na rua
Cabedal
Macio
Merda para os santos
Lá em cima
Nada
Absolutamente nada
Com hora marcada
(desespero colectivo a horas certas)
Há o momento em que todos sentimos o mesmo nada
À espera do táxi que não há
Lá em cima a dançar
Abro a janela
Tudo agora
Como se tudo ficasse por responder
Por perguntar
É como se não conhecesse ninguém
(nunca lhe disse)
E é caro
O sono
(Há qualquer coisa numa janela aberta que me pede um cigarro, se a janela calar a casa)
Noite de Verão
E não sei porquê
É Inverno
E alguém reclama
“não quero”
Vidro
A partir
Lento
Amanhã acordo
Amanhã vou acordar
A cidade calada
À espera
Falta qualquer coisa
(marchemos)
Por mais que diga
Um muro de inutilidade
E escreva
E comunique
E demonstre
E (não) pense
Nada
Com hora marcada
E gente dentro
Que dança
Que não cabe
Que não fica
repetição (quase sem alterações) de post de 22-06-07


22 Comments:
oi, sou brasileiro, cheguei em seu blog por acaso. como gosta de livros, indico bons nacionais:
- Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba)
- Clarice Lispector (Felicidade Clandestina, A Hora da Estrela)
- Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)
abraços,
louraidan.
É como se a vida nos repetisse e se repetisse...
Um abraço.
O Louraidan tem razão, o Machado de Assis merece bem a leitura.
e a tua "repetição" também.
bjs
paula
falta sempre qualquer coisa...
ainda bem que repetiste. gostei muito! mesmo!
Repeti a leitura, e quase sem alterações fica a mesma sensação.
forte abraço
fb
lindíssimo, Intruzinho........
tão, tão verdadeiro..........
bj
grd.
Espero, mesmo que te pareça o mesmo, a repetição nunca é.
Um abraço sorridente a ilustrar os teus projectos.
belo. cria-se o fôlego,
bjos
: qualquer coisa
(repito-te)
----------------------------------
(e repito-o com "o poema podendo servir de posfácio")
(...)isto ou o seu contrário, mas de certa maneira hiante
e com muita gente à volta a ver o que é
isto ou uma população de sessenta mil almas
devorando almofadas escarlates a caminho
do mar
e que chegam
ao crepúsculo
encostados aos submarinos
isto ou um torso desalojado de um verso
e cuja morte é o orgulho de todos
ó pálida cidade construída
como uma febre entre dois patamares!
vamos distribuir ao domicílio
terra para encher candelabros
leitos de fumo para amantes erectos
tabuinhas com palavras interditas
- uma mulher para este que está quase a perder
o gosto à vida - tome lá -
dois netos para essa velha aí no fim da fila -
não temos mais -
saquear o museu dar um diadema ao mundo e depois
obrigar a repor no mesmo sítio
e para ti e para mim, assentes num espaço útil,
veneno para entornar nos olhos do gigante
isto ou um rosto um rosto solitário como barco em
demanda de vento calmo para a noite
se nós somos areia que se filtre
a um vento débil entre arbustos pintados
se um propósito deve atingir a sua margem como
as correntes da terra náufragos e tempestade
se o homem das pensões e das hospedarias levanta
a sua fronte de cratera molhada
se na rua o sol brilha como nunca
se por um minuto
vale a pena
esperar
isto ou a alegria igual à simples forma de um pulso
aceso entre a folhagem das mais altas lâmpadas
isto ou a alegria dita o avião de cartas
entrada pela janela saída pelo telhado
ah mas então a pirâmide existe?
ah mas então a pirâmide diz coisas?
então a pirâmide é o segredo de cada um com
o mundo?
sim meu amor a pirâmide existe
a pirâmide diz muitíssimas coisas
a pirâmide é a arte de bailar em silêncio
e em todo o caso
há praças onde esculpir um lírio
zonas subtis de propagação do azul
gestos sem dono barcos sob as flores
uma canção para ouvir-te chegar
Cesariny
manual de prestidigitação
acho que tudo não passa disso. uma insuportável repetição. nem quando abrimos a janela o lugar de dentro flutua noutras águas. espécie de orelhas surdas. espécie de cordas. espécies. nada mais. e de nada vale barafustar. o silêncio instala-se no nariz do vento. que se fodam as vozes, meu amigo. tudo começa nos olhos. podemos sempre arrancá-los.
um enorme beijo, concha!
Apesar de repetido, é diferente. Já dizia Heráclito que não podemos tomar banho duas vezes no mesmo rio.
Lis
olha, intruso, olha...
olha os lírios do campo, que não trabalham nem fiam, mas que fizeram inveja a salomão!
e pensa, intruso, pensa...
pensa nos lilases hiantes e febris por não terem tido netos e tece-te um elogio por seres quase perfeito.
dá jeito...
e abraço ombral!
nota: qualquer aparente contradição, contactar: big blog is watching you; bandida ou a associação de amigos para a defesa da honra poética de mário cesariny.
à medida que o lia ia pensando num grupo de jograis e no sincopado em que as frases poderiam ser ouvidas e que acrescentariam e pontuariam o enorme ritmo deste poema. Muito bom.
Às vezes as repetições são boas...
:)
"...Tudo se repete.
A água, a lâmina, a promessa dos cremes da manhã, as pessoas que descem a avenida, o cão castrado do senhor Gerardo, bom-dia senhor Gerardo, o artista conduzido pela mulher ao volante, outra de dedo levantado, as pávidas crianças nas cadeirinhas certificadas, bom-dia senhor Simões, o dedo na fenda, o teu nome oficial assinalando a primeira humilhação, a chave na fechadura, os mails da noite, a bata, bom-dia dona Laurinha, bom-dia menina Fátima. Lá fora chove e o céu encoberto. Começa a semana e ninguém, compaixão nenhuma, segura o anão suicida. "
lido no blogue "A natureza do mal"..
Beijo (frívolo), Intruzinho !
O melhor mesmo é estar só.
devo t 2 beijos.
isto por cá uma penitencia
levanto-me as 3 adormeço as 6 acordo as 7... trabalho as 9 ...
xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
nao fosse ser quem é e ja me tinha mandado pros 5ºs do inferno
espero de hoje a 8 estar a fazer um monumental carnaval
abreijos
hum....há muito tempo que nao te lia...e sabe bem..ler-te vagarosamente.
o verso curto dá-lhe um efeito muito bom ao nível do ritmo.
abraço, colega
(e aí vem o natal outra vez)
com hora marcada e repetida à exaustão... ainda dizem que natal é todos os dias ou quando um homem quiser
.......................
mas quando não se quer?
a hora permanece marcada na mesma...
........
e quem diz natal, diz outro marco qualquer.
beijinhos
ruído;
Um Tempo Sem Mentira
Foge Foge Bandido
Manel cruz
Bastante bom. A malta quer mais do teu lirismo, pá.
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